doenças periodontais

Qual a relação entre doenças periodontais e o Alzheimer?

A doença de Alzheimer, que atualmente afeta aproximadamente 1,2 milhão de brasileiros, se caracteriza pela degeneração que causa ao cérebro, atingindo, na maioria dos casos, pessoas com mais de 65 anos. Contudo, existem inúmeros casos em que pessoas mais jovens também sofrem a doença, principalmente devido a mutações genéticas e fatores hereditários. Recentemente, pesquisadores identificaram um nexo de causalidade entre essa doença neurodegenerativa e a doenças periodontais.

Apesar de, em um primeiro momento, essa informação parecer um pouco confusa, este texto explicará detalhadamente essa descoberta incrível.

O estudo sobre doença periodontal e Alzheimer

O estudo publicado na revista Science Advances constatou que a infecção bucal provocada pela bactéria Porphyromonas gingivalis pode levar a maior produção de beta-amiloide (proteína que se acumula no cérebro de portadores de Alzheimer). Encontrada na boca, a bactéria prolifera pela má higiene e pode causar periodontite, doença que afeta tecidos ao redor dos dentes.

Os cientistas realizaram a análise de cérebros de humanos que sofreram Alzheimer e detectaram enzimas tóxicas (denominadas Gingipains). Enzimas estas que a bactéria Porphyromonas gingivalis usa para se alimentar. Foram encontradas, inclusive, as próprias bactérias em três cérebros com Alzheimer.

Após a pesquisa, foi concluído que a bactéria P. gingivalis, encontrada no cérebro de pacientes que sofreram e sofrem com o Alzheimer, trata-se de um fator de risco para a demência, estando diretamente ligada à produção da proteína que desencadeia as falhas cognitivas no cérebro e, consequentemente, o Alzheimer.

Foi desenvolvida pela equipe de pesquisadores um medicamento para diminuir os efeitos negativos causados pela bactéria. Os resultados indicaram que, pelo menos em cobaias, o medicamento é capaz de reduzir a neurodegeneração cerebral, o que aponta para uma forma em potencial de combate ao Alzheimer.

Quais as consequências desse estudo?

Apesar dos resultados comprovados e brilhantemente embasados pela equipe de pesquisadores, trata-se de uma pesquisa em estágio inicial, que utilizou uma quantidade ainda pequena de amostras de tecido cerebral (cerca de 20), o que ainda gera certa desconfiança no meio médico e acadêmico, podendo se tratar apenas de um acaso. Porém, para Daniel Ciampi, neurologista do Hospital Sírio-Libanês, é provável que vários fatores estejam envolvidos e o estudo é mais uma pista para pensar a doença. 

Embora não seja possível concluir que infecções na boca causam o Alzheimer, manter a higiene, diz, está longe de ser algo em vão. “Um dos pilares do tratamento é ter uma saúde oral adequada. É como se tirasse um estresse inflamatório da jogada. E o paciente pode ter uma melhora parcial.”  

Os pesquisadores prometem não cessar seus esforços nesses resultados iniciais e expandirão os estudos e aumentarão a quantidade de amostras, para que se possa determinar se a incidência de doença periodontal aumenta ou não o risco de se desenvolver mal de Alzheimer. Assim, será dado mais um passo no tratamento dessa doença que atinge tantas pessoas no mundo.

Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como periodontista e implantodontista em Barbacena!

Dr. Sérgio Caetano

Dr. Sérgio Caetano

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